segunda-feira, outubro 10, 2005

A abordagem diferencial ao desenvolvimento humano

Diversos avanços conceituais e metodológicos importantes ocorridos nas últimas décadas contribuiram para transformar a psicologia do desenvolvimento em uma das áreas mais excitantes de pesquisa e uma das mais promissoras do ponto de vista do impacto de suas descobertas sobre a vida prática (como p. ex., na educação e na clínica) bem como sobre as concepções da natureza humana que fundamentam a aplicação dos seus resultados. A seguir, serão discutidos alguns dos principais avanços em psicologia do desenvolvimento, principalmente sob a forma do surgimento de novos campos de investigação ou subdisciplinas, muitos deles de caráter interdisciplinar. A exposição finalizará com uma descrição de alguns estudos empíricos que indicam a necessidade de complementar o enfoque tradicional, universalista, da psicologia do desenvolvimento com uma abordagem de psicologia diferencial.

Psicologia do desenvolvimento do arco da vida (lifespan developmental psychology): A psicologia do desenvolvimento do arco da vida (PDAV) tem contribuído para conciliar diversas abordagens metodológicas e conceituais tradicionais, procurando abrigar em um mesmo guarda-chuva a teoria do processamento de informação e abordagens contextualistas, servindo-se tanto de métodos quantitativos quanto qualitativos (Baltes et al., 1999). A PDAV ampliou a atenção para além dos focos tradicionais na infância e adolescência, incluindo a idade adulta e o envelhecimento como objetos de interesse. A PDAV contribuiu para evidenciar a complexidade do desenvolvimento humano, a natureza adaptativa e contextualizada do desenvolvimento, as interdependências entre diversas fases do ciclo vital, bem como a multiplicidade e interatividade dos fatores que influenciam o processo de desenvolvimento. A abordagem simultânea, quantitativa e qualitativa, tem contribuído, p. ex., para esclarecer tanto mecanismos gerais do desenvolvimento quanto o impacto subjetivo dos eventos de vida e das transições de fase no ciclo vital, contribuindo para desmistificar velhas noções quanto à desadaptativade do comportamento adolescente ou na velhice.

Genética comportamental: Os delineamentos tradicionais, de gêmeos e adotados, foram refinados, surgindo também novos delineamentos, como os de gêmeos adotados, os quais permitiram caraterizar melhor a repartição da variância atribuída a fatores genéticos e ambientais em modelos aditivos da inteligência e personalidade (Plomin, 1989). Além de evidenciarem que as contribuições genéticas são substanciais, tanto no que se refere à inteligência quanto à personalidade, os estudos genético-comportamentais contribuiram para estabelecer pelo menos dois resultados surpreendentes. O primeiro deles diz respeito ao fato de que, ao invés de diminuir, a heritabilidade de características como a inteligência tende a aumentar à medida que os indivíduos progridem no ciclo vital. Este resultado pode ser interpretado de acordo com a hipótese de neotenia, a qual prevê uma maior influência dos fatores ambientais nas fases iniciais do ciclo vital.

Mas, talvez, o resultado mais surpreendente da genética comportamental diga respeito às descobertas realizadas quanto à influência do ambiente sobre o desenvolvimento da inteligência e da personalidade. Durante décadas, ao longo do século XX, as ciências sociais e comportamentais trataram o ambiente familiar como se ele fosse homogêneo para todos os membros da família. Bastava estudar uma criança como representativa do ambiente de cada família no que se refere à sua estrutura, nível de conflito-coesão, nível sócio-econômico, relligião, etnia, valores etc. para caracterizar a influência ambiental. As análises complementares de partição da variância atribuída aos fatores ambientais e genéticos em estudos de gêmeos, indivíduos adotados e gêmeos adotados contribuiram para mostrar que a situação é bem mais complexa. O ambiente pode ser particionado em pelo menos dois componentes, um compartilhado e outro não-compartilhado. O ambiente não-compartilhado decorre do fato de que cada indivíduo ocupa um nicho ecológico singular na família, podendo ser equiparado à noção tradicional do indivíduo como um agente do seu desenvolvimento. Ou seja, o indivíduo seleciona ativamente o ambiente em que se desenvolve e, portanto, as influências a que se submete.

Genômica comportamental: A utilização de técnicas de biologia molecular tem contribuído para superar os velhos modelos aditivos da genética comportamental. Não se trata mais apenas de determinar a fração de variância que é atribuída ao ambiente em contraposição à genética como influência sobre o desenvolvimento. Ao caracterizar os mecanismos de interação entre genes, ambiente e o indivíduo, a genômica comportamental está contribuindo para construir modelos verdadeiramente epigenéticos. A velha dicotomia galtoniana entre nature e nurture está prestes a ser definitivamente superada, na medida em que modelos empiricamente fundamentados estão demonstrando como os genes interagem com o ambiente e a experiência individual, resultando no amálgama de influências que caracteriza o comportamento e a experiência. Na concepção de Tooby e Cosmides (1995, Cosmides & Tooby, 1995), os genes funcionam como uma espécie de sonda ambiental, direcionando o desenvolvimento para as trilhas potencialmente mais adaptativas conforme as características do ambiente. O papel da genômica comportamental voltará a ser abordado em conjunto com a psicologia diferencial.

Neuropsicologia e neurociência cognitiva do desenvolvimento: Estudos de mapeamento cerebral funcional têm contribuído para caracterizar a dinâmica do desenvolvimento ao longo do ciclo vital, acentuando a interdependência entre o desenvolvimento das funções mentais e cerebrais. Estas abordagens têm contribuído também para dimensionar as potencialidades e os limites da plasticidade sináptica no que se refere à recuperação funcional após lesões cerebrais adquiridas na infância (Stiles et al., 2005). Um outro desenvolvimento importante é o estudo dos chamados fenótipos cognitivos ou comportamentais, que caracterizam muitas síndromes genéticas (Nokelainen & Flint, 2002). A caracterização de manifestações comportamentais e cognitivas específicas associadas a diversas síndromes genéticas é uma das áreas de maior interesse em neuropsicologia atualmente, contribuindo para ampliar o foco das correlações anátomo-clínicas que tradicionalmente se concentrava em lesões macroscópicas para correlações estrutura-função mais sofisticadas, cujo nível redutivo subjacente é caracterizado do ponto de vista genético-molecular.

Sistemas dinâmicos e redes neurais: Modelos dinâmicos e redes neurais conexionistas foram acrescentados como um importante instrumento heurístico à disposição da psicologia do desenvolvimento (Munakata & McClelland, 2003). As redes neurais constituem-se de modelos simplificados que especificam os requisitos estruturais e funcionais mínimos para que um sistema exiba formas adaptativas ou inteligentes de comportamento e desempenho cognitivo. As redes neurais funcionam também como excelentes dispositivos para simular muitas das propriedades dinâmicas exibidas pelo desenvolvimento humano, tais como mudanças de fase que se caracterizam por transformações qualitativamente radicais na estrura e função do sistema. Um dos resultados mais surpreendentes dos estudos com redes neurais é exemplifcado pelos dados empíricos sugerindo que padrões de dissociação no desempenho cognitivo observadas no nível comportamental não implicam, necessariamente, em uma organização modular da mente, tal como preconizado pela neuropsicologia ultracognitiva, mas podem refletir propriedades sistêmicas, derivadas da interação com o ambiente de um sistema com determinadas características estruturais e funcionais (Kello, 2003). Ou seja, ao invés de refletirem diferentes rotas ou módulos mentais, as dissociações de performance muitas vezes observadas em neuropsicologia, tais como aquelas implicadas pelas dislexias fonológica e lexical, podem derivar, em parte, da natureza da tarefa e da dinâmica de sua aprendizagem/desenvolvimento.

Psicologia evolucionista: Enquanto a sociobiologia era caracterizada como uma disciplina basicamente especulativa, uma filosofia de poltrona, a psicologia evolucionista se vale de todo o arsenal conceitual e metodológico desenvolvido pela psicologia ao longo do século XX para analisar empiricamente o comportamento a partir de uma perspectiva darwiniana. A sociobiologia considerava os indivíduos como maximizadores de aptidão. A partir de uma perspectiva evolutivo-psicológica, o indivíduo é um executor de mecanismos adaptativos (Cosmides & Tooby, 1995, Tooby & Cosmides, 1995). Quaisquer mecanismos mentais observados ou inferidos em humanos contemporâneos representam o resultado de um longo processo evolutivo. Os mecanismos específicos de domínio ou módulos, motivações etc. que caracterizam a natureza humana foram selecionados ao longo da filogênese, constituindo-se em estratégias evolutivamente estáveis. Mas a adaptatividade dos mecanismos selecionados diz respeito ao ambiente ancestral, podendo haver diferenças cruciais quanto à sua adaptatividade ao ambiente contemporâneo.

Servindo-se de delineamentos engenhosos, utilizando-se tanto de abordagens experimentais quanto diferenciais, a psicologia evolucionista tem se dedicado a testar empiricamente hipóteses derivadas da teoria da aptidão inclusiva (seleção natural, seleção sexual e seleção de parentesco) contribuindo para iluminar questões relativas à sexualidade humana e aos papéis de gênero, ao desenvolvimento moral, ao comportamento cooperativo e ao funcionamento cognitivo. Trabalhos empíricos têm demonstrado, p. ex., que em condições ambientais adversas o indivíduo amadurece sexualmente mais precocemente, o que pode estar relacionado a desfechos aparentemente desfavoráveis como a gravidez na adolescência, maltratamento da prole. A maturidade sexual precoce a adoção de uma estratégia reprodutiva quantitativa e oportunista podem ser adaptativas quando o ambiente se caracteriza pela escassez de recursos e incerteza e instabilidade das parcerias conjugais (Ellis, 2004).

Psicopatologia do desenvolvimento: A psicopatologia do desenvolvimento é uma área interdisciplinar que enfoca a psicopatologia como um dos desfechos do desenvolvimento (Sroufe, 1997). A complexidade do desenvolvimento humano se manifesta no fato de que não existe uma via régia do desenlvimento, ou seja, uma trilha majoritária percorrida pela maioria dos indivíduos, ou pelo menos por aqueles considerados normais. O desenvolvimento é, concebido, ao invés disto, como um processo epigenético que comporta diferentes graus de adaptativade. O repertório genético define uma série de possibilidades evolutivas, as quais são selecionadas, ainda que de forma não consciente, pelo indivíduo em função da sua experiência com o ambiente. A diferença entre o normal e o patológico não é qualitativa, mas quantitativa. O processo de desenvolvimento é complexo, podendo ser analisado como uma resultante da interação de níveis biopsicossociais de influência, os quais constituem uma unidade ao interagirem. Ao focalizar a psicopatologia como um desfecho do desenvolvimento esta nova disciplina tem contribuído também para acentuar, por contraste, os matizes do desenvolvimento normal. Ao colocar a psicopatologia no contexto do desenvolvimento em uma perspectiva longitudinal ficam claras especificidades das manifestações psicopatológicas em cada fase do ciclo vital, bem como interdependências entre do comportamento em uma fase do ciclo vital e outra. Com isto é possível identificar grupos de risco ou indivíduos vulneráveis, tais como crianças com padrões internalizantes ou externalizantes de transtornos comportamentais, as quais necessitam supervisão, orientação das suas famílias e, eventualmente, intervenções preventivas.

Psicologia diferencial: A psicologia do desenvolvimento tradicional, tal como exemplificada na obra de Piaget ou na abordagem do processamento informação adotava uma perspectiva de psicologia experimental aos fenômenos do desenvolvimento humano. O objetivo principal era generalizar acima de diferentes contextos, procurando caracterizar estágios ou processos universais de desenvolvimento. As novas subdisciplinas descritas sucintamente acima contribuiram para demonstrar que os fenômenos evolutivos se caracterizam por uma complexidade e diversidade muito maior, que ultrapassa uma descrição genérica e abstrata de padrões universais de desenvolvimento. Diferentes trilhas evolutivas podem ser caracterizdas para indivíduos se desenvolvendo sob a circunstâncias de distintas influências, tais como síndromes genéticas ou condições ambientais extremas de um lado, até variações normais de personalidade e no perfil de habilidades do outro.

A necessidade e oportunidade de um enfoque das diferenças individuais ao desenvolvimento humano pode ser ilustrada por dois exemplos de pesquisa. O primeiro diz respeito ao uso de testes de inteligência como preditores de desfechos evolutivos na velhice e o segundo consiste na utilização da abordagem genômica comportamental para caracterizar a relação entre fatores de risco psicossocial e desfechos psicopatológicos. A descoberta, há alguns anos, dos protocolos de testagem de cerca de 90000 crianças escocesas, correspondendo a quase toda uma coorte da população, que tiveram sua inteligência testada aos 11 anos de idade em 1932 permitiu realizar estudos correlacionando diferenças de inteligência na infância com diversos desfechos relacionados à saúde e adaptação psicossocial na velhice (Deary et al., 2004). As correlações obtidas são muitas vezes da ordem de r=0.5, comprovando que a inteligência é um dos melhores preditores isolados de desfechos tais como qualidade de vida, morbidade, mortalidade, integridade cognitiva, sucesso profissional e matrimonial etc.

Mas, talvez, a melhor maneira de ilustrar as vantagens de uma abordagem diferencial em psicologia do desenvolvimento seja considerando a pergunta sobre os motivos pelos quais nem todos os indivíduos que experienciam um determinado fator de risco desenvolvem o desfecho a ele associado. Os maus tratos físicos na infâncias são sabidamente associados com riscos elevados de depressão e comportamento antisocial na adolescência e idade adulta jovem. Mas nem todos os indivíduos maltratados exibem estas manifestações psicopatógicas. É possível perguntar também porque alguns indivíduos apresentam sintomas depressivos e outros comportamentos antisociais em resposta à experiência de maus-tratos. Essas questões foram abordadas em dois estudos conduzidos por Caspi e cols. (2002, 2003) a partir de dados do Dunedin Longitudinal Study.

No primeiro estudo foi observado que havia uma associação estatisticamente significativa para o sexo masculino entre a experiência de maus tratos físicos na infância e comportamento antisocial na idade adulta jovem (Caspi et al., 2002). A variância no comportamento antisocial feminino era tão reduzida que as análises não foram possíveis. Entretanto, a associação entre maus tratos e comportamento antisocial foi moderada, com um forte efeito de dose, pela presença de um polimorfismo genético no gene da monoaminooxidase A (MAO-A), o qual foi caracerizado por técnicas genético-molecularfes. O efeito também foi mais forte para os indivíduos que sofreram maus-tratos de maior gravidade. A associação estatística entre maus tratos e comportamento antisocial foi significativamente mais forte para os indivíduos cujo genótipo se caracerizava pela virtual ausência de atividade do gene da MAO-A, uma enzima envolvida no metabolismo de diversos neurotransmissores comportamentalmente relevantens.

O segundo estudo abordou a associação entre maus-tratos na infância e o surgimento de um quadro depressivo maior no início da idade adulta jovem (Caspi et al. 2003). Novamente, a associação entre o estressor psicossocial e o desfecho psicopatológico foi estatisticamente significativa. A magnitude do efeito foi, entretanto, maior para as pessoas do sexo feminino. Também foi identificada uma relação de moderação genética com efeito de dose entre o estressor psicossocial e o desfecho sintomático. Desta vez o gene implicado foi o gene transportador de serotonina (5-HTT). Indivíduos com alelo de cadeia curta do gene 5-HTT, o qual está envolvido no metabolismo, entre outras, de drogas antidepressivas como o fluoxetina, apresentaram risco significativamente maior de desenvolver os sintomas de depressão maior e o efeito foi mais pronunciado para aqueles indivíduos submetidos a maus-tratos de maior intensidade. Este estudo foi posteriormente replicado por um grupo independente (Kendler et al., 2005).

O efeito de moderação evidenciado para a relação entre determinados genótipos e manifestações psicopatológicas constitui-se em uma forte evidência para o modelo de diátese-estresse em psicopatologia. Estressores psicossociais associam-se com desfechos psicopatológicos, mas esta relação é mais pronunciada para indivíduos geneticamente vulneráveis. Os estudos descritos constituem-se em exemplos de como a genômica comportamental pode ser utlizada para enfocar as interações entre influências genéticas e ambientais sobre o desevolvimento a partir de uma perspectiva verdadeiramente epigenética. A contovérsia nature-nurture acabou (Turkheimer, 2000). Não faz mais sentido discutir sobre esse assunto no momento em que estão disponíveis as ferramentas metodológicas para analisar efeitos interativos multivariados. Outra novidade importante é que a psicologia do desenvolvimento está deixando de ser uma ciência apenas descritiva ou normativa, para começar a aventurar-se na construção de modelos explicativos do desenvolvimento humano. Finalmente, as evidências discutidas indicam que o enfoque descritivo tradicional, o qual focalizava estágios ou processos supostamente universais deve ser complementado por um enfoque diferencial que contempla as especificidades individuais e ambientais. Somente um enfoque diferencial permitirá compreender porque uma dada experiência se associa com um desfecho sob certas circunstâncias mas não em outras.

Conclusões: O risco de supersimplificação é grande, mas a tentação também. Incorrendo no risco de supersimplificação, é possível dizer que:

O estudo do desenvolvimento humano está cada vez mais epigenético. Ao invés de simplesmente procurar dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus no que se refere à controvérsia sobre o papel da natureza e da criação, os novos modelos derivados da genômica comportamental abordam os mecanismos de interação entre os dois tipos de influência. Qualquer modelo que negligencie um dos fatores será considerado incompleto;
O interesse crescente pela diferenças individuais e especificidade contextual fez com que o estudo do desenvolvimento tivesse se tornado mais “diferencial”, incorporando modelos multivariados para tentar explicar as relações entre fatores de risco, resiliência e desfechos;
A psicologia do desenvolvimento deixou de ser uma ciência apenas descritiva e/ou normativa, na medida em que a genômica comportamental e a psicopatologia do desenvolvimento começam a trabalhar com modelos de relações causais. Isto somente foi possível em função dos desenvolvimentos na genética molecular e do surgimento de técnicas multivariadas de análise estatística, como modelos de equações estruturais e curvas de crescimento;
Subdisciplinas como a neuroinformática, neurociência e a neuropsicologia têm contribuído para ancorar o desenvolvimento psicológico na sua base neurobiológica;
O enfoque evolucionista tem contribuído para contextualizar o estudo do desenvolvimento ontogenética em uma perspectiva mais ampla, focalizando diferenças entre espécies e possíveis pressões de seleção no ambiente ancestral.


Vitor Geraldi Haase



Referências Bibliográficas

Baltes, P. B., Staudinger, U. M. & Lindenberger, U. (1999). Lifespan psychology: theory and application to intellectual functioning. Annual Review of Psychology, 50, 471-507.

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Caspi, A., Sugden, K., Moffitt, T. E., Taylor, A., Craig, I. W., Harrington, H., McClay, J., Mill, J., Martin, J., Braithwaite, A. & Poulton, R. (2002). Influence of life-stress in depression: moderation by a polymorphism in the 5-HTT gene. Science, 301, 386-389.

Cosmides, L. & Tooby, J. (1995). From function to structure: the role of evolutionary biology and computational theories in cognitive neuroscience. In M. S. Gazzaniga (Org.) The cognitive neurosciences (pp. 1199-1210). Cambridge (MA): MIT Press.

Deary, I., Whiteman, M. C., Starr, J. M., Whaley, L. J. & Fox, H. C. (2004). The impact of childhood intelligence on late life: following up the Scottish mental surveys of 1832 and 1947. Journal of Personality and Social Psychology, 86, 130-147.

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Kendler, K. S., Kuhn, J. W., Vittum, J. Prescott, C. A. & Riley, B. (2005). The interaction of stressful life events and a serotonin transporter polymorphism in the prediction of episodes of major depression. A replication. Archives of General Psychiatry, 62, 529-535.

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Turkheimer, E. (2000). Three laws of behavior genetics and what they mean. Current Directions in Psychological Science, 9, 160-164.

2 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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