quinta-feira, setembro 15, 2005

Por que outro curso de neuropsicologia?

O II curso de férias de neuropsicologia, realizado em julho, foi um sucesso. Tivemos mais de 130 inscritos e a repercussão foi muito boa. Diversas pessoas ficaram perguntando sobre a possibilidade de realizar outro curso. Inclusive para atender a demanda de pessoas que estavam viajando ou que não puderam se matricular a tempo.

Foi com esse objetivo que resolvemos organizar um novo curso, ainda no ano de 2005. A ênfase deste novo curso será um pouco diferente. Serão abordadas as síndromes neuropsicológicas.

A abordagem sindrômica tem sido muito criticada em neuropsicologia. Mas continua sendo essencial. As principais críticas vêm da neuropsicologia cognitiva e dizem respeito a várias limitações da abordagem sindrômica: 1) a acurácia preditiva das síndromes no que se refere à localização lesional é relativamente baixa, da ordem de 70%; 2) os sintomas componentes das diversas síndromes podem aparecer (ou não aparecer) de forma dissociada; 3) muitas vezes não fica claro qual é o significado funcional ou qual a relaçào dos diversos sintomas componentes de uma síndrome entre si; 4) a partir do reconhecimento de uma síndrome nem sempre é possível fazer inferëncias quanto ao processo de reabilitação mais indicado; etc.

As limitações da abordagem sindrômica em neuropsicologia são, portanto, conhecidas, mas, por outro lado, a abordagem sindrômica é uma das principais maneiras de inserir o enfoque neuropsicológico no contexto da medicina e, de um modo geral, da saúde. O diagnóstico sindrômico é uma das etapas fundamentais do diagnóstico neurológico e permite reduzir o campo de busca com vistas ao diagnóstico etiológico. Parece, então, oportuno discutir o status do diagnóstico sindrômico em neuropsicologia.

Se você achou essa conversa interessante, venha fazer o curso, ou entào expresse suas opiniões e/ ou dúvidas. Aguarde mais discussões sobre o status das síndromes em neuropsicologia. No próximo comentário vamos abordar a síndrome de Gerstmann.

Vitor e Pedro